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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Será que é grave?

Meu psiquiatra está internado em uma clínica de psiquiatria...  Ironia do destino? O feitiço virou contra o feiticeiro? Não sei. Mas sei que venho enfrentando alguns problemas e, tá difícil encontrar um psiquiatra pelo convênio. E mais difícil ainda, encontrar um psiquiatra em pleno vigor de suas faculdades mentais... pelo convênio. Resolvi relatar aqui então algumas situações esquisitas que venho passando, a fim de ver se algum leitor me auxilia.

No final de um dia tenso, lembrei que não havia trancado a porta e nem guardado a comida na geladeira. Já estava deitada p dormir. Muito contrariada, levantei da cama para cumprir com minhas obrigações intermináveis. No dia seguinte, meu marido acordou dizendo q não sabia onde estavam as chaves. Por acaso, abriu a geladeira para pegar água e achou TODAS as chaves de casa dentro da geladeira. As minhas, as dele, as do filho e a chavinha q fica na porta. Eu disse que ele estava doido, vendo coisas e ele começou a rir. Eu só acreditei quando abri a geladeira e vi a tal da chavinha em cima da tampa da panela. Geladinha....  Pelo menos, a comida foi p o lugar certo. Poderia ter pendurado as panelas no porta chaves.

Me recuso a fazer compras no mercado da esquina. Um dia, esqueci de levar o dinheiro. No Outro, levei o Vale Cultura ao invés do Ticket Alimentação. Depois, levei o cartão da conta que estava com saldo zero ao invés do cartão que tinha saldo. Tudo na mesma semana. Tudo no mesmo mercado. E, em todas as vezes, já havia passado as compras no caixa pra só depois perceber os equívocos. Tô morrendo de vergonha dos funcionários.

Achei um celular no micro-ondas. Mais especificamente, o meu celular. Pra disfarçar, sai perguntando em casa quem havia feito isso e, lógico, dei uma acusada básica nas crianças. Mas tenho quase certeza que fui eu mesmo.

Parei o eletricista que trabalha na loja de material de construção do bairro, no meio da rua, pra pedir que ele fizesse o orçamento de um vazamento no meu banheiro. Imaginem a minha cara quando ele respondeu "Mas amiga, eu sou eletricista, esqueceu? " Nesse momento lembrei que na semana anterior eu havia pedido pra que ele instalasse meu ventilado de teto. Vergonha, gente.

Já empanaram peitos de frango usando farinha láctea? Pois é. Eu já. Ficou horrível.

Saí do táxi, dei R$3,75 pro motorista, abri a porta e fui embora. Logo depois, percebi um carro me seguindo e buzinando. Olhei com medo e desconfiada quando ouvi uma voz gritando... "Ô moça, isso aqui é um táxi e não um ônibus." E eu... "Ãh? Ih, moço desculpa, que vergonha.... Eu estava com o dinheiro da passagem separado e acab... " "17, 50 moça. Ainda falta 13, 75." Me calei, paguei e fui procurar um buraco pra enfiar a cara.

Outras coisas aconteceram mas acho que já deu pra ter uma boa noção das coisas que andam acontecendo comigo. Tô com medo de causar um acidente sério, trocar bebidas e acabar envenenando alguém sem querer, sei lá. Cara, Na Boa, será que virei uma ameaça  à segurança pública? Se algum psiquiatra mentalmente sadio estiver lendo, Dr, é grave?


sábado, 17 de outubro de 2015

O doutor surtou!!!


*Para total compreensão da crônica a seguir, recomendo a leitura de "Sala de espera", publicada dia 03/09/2015. 

Entrei no consultório do meu psiquiatra. (Aquele meu médico que tem TOC)
Em poucos minutos percebi que ele estava particularmente transtornado. Tentei prosseguir com a minha consulta, em vão. Sutilmente, fiz o médico de cobaia num breve estágio.

- Dr, percebo que está tenso. Algum problema? Posso ajudar? Posso lhe ouvir, se quiser.

- Reparou no paciente que saiu do consultório ainda agora?

-Não, Dr. Porque?

- Ele é um advogado criminalista. O problema é que.... deixa pra lá. Não posso expor um paciente.

- Como quiser, Dr. Porém, se for realmente necessário desabafar, pode contar com o meu sigilo.

Continuamos (ou melhor, tentamos continuar) a consulta. Mas ele não conseguia se concentrar. O suor pingava da testa. Uma mão permanecia no bigode enquanto a outra passava o perfex na mesa (intensamente, sem intervalos. E olha... Eu me controlava para não apoiar as mãos, a fim de não provoca-lo dessa vez!). Um pé batia no chão em um ritmo frenético. Eu, presenciando aquela agonia também não conseguia falar sobre o que precisava.

- Posso confiar em você? Preciso falar. Mas a ética...

- Dr, o que for dito aqui no consultório permanecerá aqui. Fica tranquilo. O que houve?

-Esse paciente que te falei. Criminalista. De tanto defender e conviver com bandidos,  começou a praticar alguns delitos também. Ele diz que faz sem perceber e que já é incontrolável. A última dele foi furtar da farmácia algumas caixas do remédio que eu o receitei.

- Ele realmente precisa dos seus cuidados, Dr. Mas não entendi ainda pq está tão tenso.

Ele enfim largou o bigode e o pano. E começou a estalar os dedos.

- Tenho um paciente confeiteiro. Coitado... engordou 70kg desde que deu início a sua profissão. Não consegue largar os doces e não pode ver glacê sem comer glacê. Fica trêmulo e agressivo. 

Reparei então que ele tentava estalar novamente os dedos já estalados. Enrolava os bigodes, passava o pano na mesa e começou a roer as unhas. Eu, só observava.

-Ontem atendi uma Operadora de Telemarketing que mais parecia uma Ura eletrônica. Falava: - Dr, se estou depressiva, diga: 1. Se estou com transtorno de ansiedade, diga: 2. Se estou tendo surtos psicóticos, diga: 3. - Perdi a conta dos gerúndios e dos "só um momento por gentileza" ela usou. Tenho um paciente que é Administrador. Ele tem uma planilha de Excel dos medicamentos que toma e a atualiza a cada comprimido ingerido. A outra, é dona de casa. Certa vez ela cismou que precisava lavar o banheiro do consultório antes de usá-lo.

Observava aquilo tudo em silêncio tentando entender onde o Dr. queria chegar. Ele já estava de pé, andando em círculos e roendo as últimas unhas.

- Imagino que sua profissão não seja nada fácil.  Lidar com isso tudo diariamente deve ser complicado mesmo. O Sr já...

Eu iria sugerir um psicólogo. Mas me calei imediatamente quando o Dr. sentou no chão, levou as mãos a testa, começou a chorar e voltou a falar com a voz mais alterada.

-Esse é o problema!  Muitos pacientes com problemas psiquiátricos diariamente. O criminalista virou bandido. O confeiteiro engordou. A atendente virou Ura. O administrador administra até os remédios na planilha. A dona de casa quer lavar o meu banheiro. E eu? Diz pra mim, qual será o meu destino? Trato de loucos portanto vou ficar louco. Vou desenvolver transtornos psiquiátricos. Vou ter crises de ansiedade, síndrome do pânico, TOC, ser internado numa clínica psiquiátrica e morrer. Eu vou morrer! Vou morrer insano e preso a uma camisa de forças. Logo eu, que dediquei a minha vida às neuroses e psicoses alheias.... Era tudo mentira! É contagioso sim!  Vou morrer louco!

E chorava, deitado no chão, em posição fetal. Eu olhei o relógio e percebi que meus 45 minutos de consulta tinha acabado. Eu não faria hora extra de graça. Sem saber o que fazer e vendo a real necessidade de um sossega leão para acalma-lo, ministrei alguns medicamentos que ele tinha na gaveta para amostras grátis, em dosagens que ele mesmo recomendou. Fiz com que ele deitasse na maca e pedi que a secretaria remarcasse os pacientes. Ele dormiu. Saí dali correndo deixando apenas uma recomendação para a secretaria... Não saia daqui enquanto ele não acordar! Ela ainda me falou alguma coisa mas fugi dali tão rápido que, de fato, não entendi.

Acho que deveria ligar e saber como ele ficou. Mas, cara, na boa...  Como é que eu vou dizer a um psiquiatra que ele enlouqueceu, que aquilo que ele tanto temia, já aconteceu. É, o Dr. Surtou!